
1. O hostel no escuro
Havia um ponto, durante as noites em que o hostel estava vazio, em que a luz deixava de ser necessária.
Não porque os olhos tivessem se adaptado à escuridão. Porque o espaço havia sido internalizado — o corredor, a escada, a distância entre a cozinha e o quarto, a posição exata da maçaneta no escuro. O hostel havia migrado do mundo externo para dentro: existia agora como estrutura interna, como mapa que operava independentemente dos estímulos físicos que o haviam precipitado.
Isso não é metáfora. É a descrição literal do que John O’Keefe e Lynn Nadel chamaram de mapa cognitivo em The Hippocampus as a Cognitive Map (1978) — trabalho que rendeu a O’Keefe o Prêmio Nobel de Fisiologia em 2014, compartilhado com Edvard e May-Britt Moser. O hipocampo constrói representações espaciais do ambiente que depois operam autonomamente, sem os estímulos físicos que as geraram. O espaço físico precipita a estrutura interna. A estrutura interna passa a governar a navegação no espaço físico — e continua operando mesmo quando o espaço físico não está mais presente.
O que O’Keefe e Moser descreveram para a navegação espacial é o mesmo mecanismo que a teoria literária havia intuído para a experiência de leitura sem ter instrumentos para descrevê-lo completamente. E é também o mesmo mecanismo que Aristóteles havia observado no teatro grego dois mil e quatrocentos anos antes — sem ter a neurociência disponível para nomeá-lo, mas com a precisão de quem observou o fenômeno diretamente.
Este ensaio traça a linha entre os dois.
2. Aristóteles e o que havia além da imitação
Aristóteles abriu a Poética com uma observação que a tradição literária repetiu por dois mil anos sem examinar completamente: a mimese é natural ao ser humano desde a infância, e os seres humanos se distinguem dos outros animais por serem os mais miméticos de todos — e por aprenderem seus primeiros conhecimentos através da mimese.
A tradução convencional como “imitação” empobreceu o conceito. O que Aristóteles havia observado — e que a palavra “imitação” não captura — é que o prazer que os seres humanos sentem ao contemplar representações não deriva do objeto representado, mas da estrutura que a representação precipita no receptor.
O exemplo que a Poética oferece é preciso: os seres humanos sentem prazer ao contemplar imagens de objetos que causariam repulsa na realidade — cadáveres, animais repugnantes. O prazer não está no objeto. Está no aprendizado que a representação produz — no reconhecimento da estrutura que a representação instalou. “Aprendemos com prazer ao reconhecer” — não ao receber informação sobre o objeto, mas ao construir internamente a estrutura que permite reconhecê-lo.
A mimese aristotélica, lida com essa precisão, não é imitação estática: é processo dinâmico pelo qual o receptor constrói uma representação interna do que foi representado. O artista não copia o mundo. Cria as condições para que o receptor construa internamente uma estrutura que corresponde ao que foi representado — e essa estrutura interna é o que o receptor carrega depois.
A pesquisa contemporânea confirmou o que Aristóteles havia intuído: “A mimese em Aristóteles é um sistema cognitivo complexo, não mera imitação. Aristóteles identifica a mimese como característica da natureza humana que explica a existência da poesia — ela é inerentemente antropológica e psicológica.” (ACADEMIA.EDU, 2015).
3. Auerbach e a mimese que evolui com o leitor
Erich Auerbach publicou Mimesis: a representação da realidade na literatura ocidental em 1946 — escrito durante o exílio em Istambul, sem acesso à biblioteca que o trabalho exigiria, num ato de memória e síntese que é ele mesmo uma demonstração do argumento que este ensaio desenvolve.
O que Auerbach demonstrou ao longo de dois mil anos de literatura ocidental é que a mimese não é conceito estático. Cada época literária constrói um modo específico de representar o
real — e cada modo revela tanto sobre o que a época acredita que o real é quanto sobre a estrutura interna que o texto precipita no leitor daquela época.
Na Odisseia, a representação é clara, plana, focada no presente: o que está na superfície é o que existe. No realismo francês de Stendhal e Balzac, a mimese atinge novo patamar de complexidade — os personagens são moldados pelas forças políticas, econômicas e sociais de seu tempo. A mimese moderna captura a seriedade do cotidiano, rompendo com a hierarquia clássica que reservava o estilo elevado apenas para reis e heróis.
O que Auerbach identificou implicitamente — sem a neurociência disponível para formular explicitamente — é que a evolução da mimese literária é a evolução do mapa interno que o texto precipita no leitor. A Odisseia precipita um mapa do mundo onde os eventos têm contornos nítidos e causas claras. Balzac precipita um mapa do mundo onde as causas são históricas, sociais, econômicas — onde o personagem não é herói abstrato, mas ser determinado por forças que o excedem. Cada modo mimético é um modo diferente de construir a estrutura interna que governa como o leitor percebe o real depois da leitura.
4. Ricoeur e o leitor como terceiro momento da mimese
Paul Ricoeur foi o filósofo que mais sistematicamente desenvolve o que Aristóteles havia deixado incompleto — e o faz em Tempo e Narrativa (1983-1985) com uma precisão que a teoria literária demorou a absorver completamente.
Ricoeur propõe a tríplice mimese como o ciclo completo do processo narrativo:
A Mimese I é a prefiguração — o mundo da experiência humana antes de ser narrado. Não é caos puro: já está organizado por estruturas simbólicas, por narrativas que o sujeito usa para compreender sua própria vida antes de qualquer texto literário. É o mapa que o leitor já tem quando chega ao texto.
A Mimese II é a configuração — o ato criativo do autor que transforma a experiência em intriga, em narrativa estruturada. É o texto como tal: a organização dos eventos em sequência que tem início, meio e fim, que produz sentido a partir da heterogeneidade da experiência.
A Mimese III é a refiguração — o ato de leitura pelo qual o leitor recebe a configuração do texto e a integra em sua própria experiência de vida. É o momento em que o mapa que o texto oferece encontra o mapa que o leitor já tinha — e os dois se reorganizam.
“A tarefa da hermenêutica é reconstruir o conjunto das operações pelas quais a obra se eleva do nível do viver para ser dada a um leitor que muda o seu agir. O processo pelo qual a
configuração textual faz a mediação entre a prefiguração e a refiguração é operado pelo leitor.” (RICOEUR apud CAIMI, 2009).
O que Ricoeur formalizou em linguagem filosófica é o mesmo que O’Keefe havia descrito em linguagem neurológica: o mapa que o receptor já possui (Mimese I) encontra o mapa que o texto precipita (Mimese II) e o resultado é um mapa reorganizado (Mimese III) que o leitor carrega depois de fechar o livro.
A mimese não termina no texto. Termina no leitor. E o que o leitor carrega depois é uma estrutura interna modificada — não informação sobre o texto, mas reorganização do próprio mapa interno de como o mundo é percebido.
5. A Ilíada e o luto que não pode ser processado
A Ilíada de Homero é o texto mais antigo da tradição literária ocidental — e é também o texto que demonstra com maior clareza o mecanismo que este ensaio examina.
Aquiles e Pátroclo não são simplesmente amigos ou companheiros de guerra. São o que a antropologia chamaria de duplos — a extensão do ser de um no ser do outro. Aquiles é o guerreiro sem igual, mas é Pátroclo quem carrega a dimensão humana que o excesso de glória tende a suprimir. Os dois juntos formam um ser mais completo do que cada um separado.
Quando Pátroclo morre — usando a armadura de Aquiles, substituindo Aquiles no campo de batalha, morrendo no lugar de Aquiles — o que acontece não é apenas a perda de um companheiro. É uma amputação. A parte de Aquiles que havia migrado para Pátroclo — que existia como extensão do próprio ser, como o membro que se movimenta tão naturalmente que deixa de ser sentido como separado — é subitamente removida.
E o membro fantasma persiste.
Aquiles não consegue processar o luto porque o luto de uma amputação não se processa pelos caminhos normais do luto. A dor não diminui com o tempo imediato — intensifica. Porque o córtex que havia sido mapeado por Pátroclo continua ativo. O espaço que Pátroclo ocupava no mapa interno de Aquiles continua presente como estrutura — como presença que o objeto não preenche mais mas que o mapa insiste em procurar.
Ramachandran demonstrou que o membro fantasma produz dor precisamente porque o córtex continua enviando comandos motores para um membro que não existe mais para respondê-los. A ausência de resposta é processada como dor. Aquiles que grita o nome de Pátroclo, que recusa comer, que arrasta o cadáver de Heitor ao redor de Troia — não está
sendo irracional. Está respondendo à dor de um membro fantasma que o sistema nervoso não sabe como processar de outra forma.
A catarse que a Ilíada produz no leitor que carrega qualquer versão da perda de um ser que havia se tornado extensão do próprio ser é precisa porque o texto precipita, via neurônios-espelho e processamento límbico, a estrutura interna do luto da amputação. O leitor não recebe informação sobre como Aquiles se sente. Experimenta, no nível em que o sistema nervoso processa experiência, a estrutura desse luto — e ao experimentá-la com a distância segura que a ficção oferece, pode processá-la de formas que o luto real frequentemente não permite.
É a Mimese III de Ricoeur operando sobre a Mimese I do leitor — e o resultado é a catarse que Aristóteles havia observado no teatro dois mil e quatrocentos anos antes de a neurociência ter instrumentos para descrevê-la.
6. Dom Quixote e o mapa que governa o território
Miguel de Cervantes publicou Dom Quixote em 1605 — e criou, sem saber, a demonstração mais precisa disponível na literatura ocidental do que acontece quando o mapa interno passa a governar a percepção do território externo em vez de ser governado por ele.
Dom Quixote não é louco no sentido de ter perdido contato com a realidade. Tem um mapa interno — construído por décadas de leitura de romances de cavalaria — tão preciso e tão densamente habitado que governa o que é possível perceber no território externo. O moinho é percebido como gigante não porque Quixote não veja o moinho, mas porque o mapa que governa a percepção transforma o dado sensorial antes que chegue à consciência.
O mecanismo que Cervantes encena é o inverso do que acontece no hostel no escuro: lá, o mapa interno havia sido precipitado pelo espaço físico real e operava em correspondência com ele. Em Quixote, o mapa foi precipitado pela ficção — pelos romances de cavalaria — e opera em contradição com o espaço físico.
Mas a questão que Cervantes instala — e que Dom Quixote deixa em aberto com a precisão de Tchekhov — não é se Quixote está errado. É quem define qual mapa é o correto. O mundo que os outros personagens habitam, governado pelo mapa do senso comum, é mais real do que o mundo que Quixote habita, governado pelo mapa da cavalaria? Ou são dois mapas igualmente internos, igualmente construídos, igualmente governa ndo percepções que nenhum dos dois grupos questiona?
Auerbach havia identificado que Dom Quixote representa um ponto de inflexão na história da mimese ocidental: é o primeiro grande texto a tematizar explicitamente a relação entre o mapa interno e o território externo — entre a representação que o ser humano constrói do real e o real que essa representação governa. O realismo cervantino não é a cópia do real: é o exame do mecanismo pelo qual o real é construído.
7. Proust e o mapa que parecia perdido
Marcel Proust construiu a maior demonstração disponível na literatura do que Ramachandran chamaria de membro fantasma reativado.
Em Em Busca do Tempo Perdido, o narrador havia perdido — acreditava ter perdido — o mapa de Combray. A infância, os verões na casa da tia Léonie, o quarto, o jardim, os cheiros específicos daquele mundo específico. O esforço consciente de lembrar produzia apenas o esqueleto — nomes, datas, fatos. O mapa interno havia sido soterrado pelo tempo e pela automatização perceptiva que Chklóvski havia descrito como o inimigo da percepção.
A madeleine molhada no chá não criou uma lembrança. Reativou um mapa que havia sido preservado intacto — não na memória voluntária, que o tempo havia degradado, mas numa camada de memória que o tempo não acessa da mesma forma. O cheiro, o sabor, a textura — não o conceito do biscoito, mas a estrutura sensorial original, com toda a sua intensidade — estavam lá, preservados como o mapa do hostel estava preservado, como o membro fantasma está preservado no córtex depois da amputação.
O que Proust havia demonstrado intuitivamente — e que a neurociência depois confirmaria
— é que o mapa cognitivo construído pela experiência intensa não desaparece com o tempo. É soterrado pela automatização, pela construção de mapas posteriores que governam a percepção cotidiana. Mas permanece acessível pelo gatilho sensorial que o bypassa — que contorna os mapas posteriores e acessa diretamente a estrutura original.
A mimese que Em Busca do Tempo Perdido precipita no leitor é a reativação de mapas que o próprio leitor acreditava haver perdido. Não a nostalgia abstrata — a reativação concreta, via estrutura sensorial, de experiências que o leitor carregava preservadas e inacessíveis. O romance de Proust é o gatilho que, para o leitor certo no momento certo, produz o mesmo efeito que a madeleine produziu para o narrador.
8. Grande Sertão: Veredas e o mapa que o leitor não sabia que estava construindo
João Guimarães Rosa era diplomata. A formação diplomática — a disciplina de dizer o essencial pelo ângulo oblíquo, de afirmar conteúdos pesados levemente — é visível em cada página de Grande Sertão: Veredas.
O sertão não é cenário. É o dispositivo que instala no leitor um mapa sem que o leitor perceba que o mapa está sendo instalado. O leitor de classe média que abre Grande Sertão recebe, pela via do exotismo regional, pela via da violência e da metafísica do sertão, um mapa do Brasil que o realismo urbano não poderia instalar diretamente — porque instalado diretamente produziria resistência.
A mimese de Rosa opera pelo mecanismo que a distinção representação/alusão formulou: o texto não representa o Brasil — alui o Brasil. Cria as condições para que o leitor construa internamente o mapa do Brasil usando o sertão como partícula de indução. O mapa que emerge não é o mapa que o leitor conscientemente construiu — é o mapa que o texto instalou pelo canal que a resistência não governa.
Riobaldo não faz um pacto com o diabo. Faz o que qualquer ser humano que precisa agir em condições impossíveis faz: negocia com o que está além do que pode ser controlado. O pacto na encruzilhada é a Mimese I do leitor — o mundo da experiência humana onde escolhas impossíveis são feitas — encontrando a Mimese II de Rosa — a configuração narrativa que transforma essa experiência em enredo — e produzindo a Mimese III que o leitor carrega: o mapa de como o poder opera no Brasil, instalado via sertão, persistindo depois que o livro fecha como estrutura que governa como o leitor percebe o poder ao seu redor.
9. Espelhos que se deslocam e a Mimese III em ato
Espelhos que se deslocam, em pré-lançamento, é construído sobre a consciência explícita do mecanismo que este ensaio examina — e encena a Mimese III de Ricoeur com uma precisão que raramente aparece na ficção.
O narrador que transcreve os diários de outro está operando a Mimese II: configurando, organizando, tornando narrativa o que havia sido experiência bruta. Mas a descoberta final — “É a minha caligrafia” — é a Mimese III colapsando sobre a Mimese II: o narrador que havia estado na posição do autor descobre que estava na posição do leitor. Havia estado lendo o próprio mapa interno sem saber que era seu.
O mecanismo que isso encena é o mesmo que Ramachandran descreveu para o membro fantasma resolvido pelo espelho: a caixa de espelho cria o input visual que o córtex precisava para reorganizar o mapa. O narrador que descobre a própria caligrafia tem o input que o córtex precisava para reorganizar o mapa — para perceber que o que havia sido projetado como externo era interno, que o que havia sido lido como outro era próprio.
O leitor que chega a essa descoberta com o narrador está experimentando a Mimese III na forma mais precisa possível: a refiguração que revela que o texto estava precipitando, desde a primeira página, o mapa interno do próprio leitor. O livro inteiro era o espelho. E o que o espelho refletia estava lá antes de o leitor abri-lo.
10. A tese
A linha que vai de Aristóteles a Ramachandran, passando por Auerbach, Ricoeur, Homero, Cervantes, Proust e Rosa, converge num argumento que pode agora ser formulado com precisão:
A mimese não é imitação do mundo externo. É o processo pelo qual a representação precipita no receptor a construção de uma estrutura interna — um mapa cognitivo da experiência narrada — que opera independentemente do objeto que a precipitou, com a mesma arquitetura neurológica das experiências reais, persistindo depois que o estímulo externo é removido.
Essa reformulação não contradiz Aristóteles. Revela o que ele havia observado empiricamente — o prazer no reconhecimento, a catarse como reorganização, a mimese como capacidade cognitiva fundamental — sem ter os instrumentos para descrever o mecanismo subjacente.
Ricoeur havia chegado ao mesmo ponto pelo caminho hermenêutico: a Mimese III, o leitor que refigura o texto e sai modificado, é a descrição filosófica do remapeamento cortical que a neurociência depois descreveria em termos de hipocampo, neurônios-espelho e processamento límbico.
A distinção que este argumento exige — e que Outras teses sobre o conto havia formulado em termos de representação e alusão — é entre dois modos de precipitar o remapeamento:
A representação deposita informação sobre o mapa. O leitor recebe dados sobre a experiência narrada. O mapa não é construído — é descrito. O resultado é conhecimento sobre a experiência, não estrutura interna da experiência.
A alusão cria as condições para que o receptor construa o mapa usando o que já carrega. A partícula de indução não descreve o mapa — ativa o processo de construção do mapa no receptor específico, usando a Mimese I que esse receptor já possui como material. O resultado é o mapa construído — não recebido — e portanto neurológico, persistente, operacional.
É a diferença entre dar a alguém a planta baixa do hostel e fazer a pessoa habitar o hostel até que o mapa se forme por si mesmo. A planta baixa informa. O mapa formado por habitação persiste no escuro.
A alusão literária é o equivalente poético da habitação: cria as condições para que o receptor habite a experiência narrada com suficiente intensidade para que o córtex construa o mapa. E o mapa construído pelo córtex é o membro fantasma que persiste — a estrutura interna que o livro deixa depois de ser fechado, que continua operando, que continua sendo sentida, que modifica o que o leitor percebe no mundo externo.
Aristóteles havia chamado isso de catarse. Ricoeur havia chamado de refiguração. Ramachandran havia chamado de remapeamento cortical. O hostel no escuro, Luísa vendo o amanhecer, o luto de Aquiles, o mapa do Brasil via sertão, o narrador que descobre a própria caligrafia — são todos o mesmo fenômeno descrito por linguagens diferentes que ainda não se encontraram completamente.
Este ensaio é um passo nesse encontro.
Referências
ARISTÓTELES. A poética clássica. Tradução: Jaime Bruna. São Paulo: Cultrix, 2014.
AUERBACH, Erich. Mimesis: a representação da realidade na literatura ocidental. Tradução: George Bernard Sperber. São Paulo: Perspectiva, 2021.
CERVANTES, Miguel de. Dom Quixote de la Mancha. Tradução: Sérgio Molina. São Paulo: Editora 34, 2012.
GUERREIRO FILHO, Paulo Mendes. Outras teses sobre o conto. Trabalho de conclusão de curso. Curso de Escrita Criativa, PUCRS, Porto Alegre, 2021.
GUERREIRO FILHO, Paulo Mendes. Aurora e a sua cognata. In: Foed Castro Chamma 2020. 1º lugar nacional — Prêmio Nacional FOED de Literatura (ALACS), 2020. Disponível em: pauloguerreirofilho.com/flipbook/1290/
GUERREIRO FILHO, Paulo Mendes. Espelhos que se deslocam. Inédito, 2026.
HOMERO. Ilíada. Tradução: Haroldo de Campos. São Paulo: Mandarim, 2001.
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RAMACHANDRAN, V.S. The Tell-Tale Brain: A Neuroscientist’s Quest for What Makes Us Human. New York: Norton, 2011.
RICOEUR, Paul. Tempo e narrativa. Tradução: Cláudia Berliner; Márcia Valéria Martinez de Aguiar. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2010. 3 v.
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ROSA, João Guimarães. Grande sertão: veredas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006.
Nota:
Este ensaio desenvolve o argumento central que a monografia Outras teses sobre o conto (PUCRS, 2021) não pôde desenvolver completamente por limite de páginas. Retoma a distinção representação/alusão ali formulada e a estende até seu fundamento neurológico, traçando a linha que vai de Aristóteles a Ramachandran passando por Ricoeur, Auerbach e as grandes obras da tradição literária ocidental.
Paulo Guerreiro Filho é escritor, advogado e autor de Espelhos que se deslocam, em pré-lançamento. Suas pesquisas na interseção entre teoria literária, filosofia da linguagem e neurociência cognitiva têm como ponto de partida a monografia Outras teses sobre o conto (PUCRS, 2021). Escreve em* reescrevendorealidade.com.